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Para idosos saudáveis, qual a melhor escolha: aeróbio ou musculação?


No Brasil, conforme dados apresentados pelo IBGE, entre 1991 e 2011 a população de idosos passou de 10,7 milhões para 23,5 milhões dos brasileiros e estima-se que esse número atinja 64 milhões de pessoas em 2050, representando 30% dos brasileiros.

Este envelhecimento populacional gera preocupações acerca da manutenção da saúde e qualidade de vida destas pessoas, sendo o exercício físico uma ferramenta não medicamentosa capaz de atenuar o prejuízos fisiológicos idade-associados.

O exercício físico aeróbio é o tipo de exercício mais pesquisado e comprovado cientificamente para idosos em relação aos benefícios após sua prática. No entanto não promove aumento de força e massa muscular, de extrema importância para esta população.

Já o resistido (musculação), como modalidade isolada, apesar de promover aumento de força e massa muscular pode resultar em redução da complacência arterial (maior rigidez arterial), podendo aumentar o risco cardiovascular em longo prazo.

Assim, o Treinamento Concorrente (TC), que consiste na execução do exercício físico aeróbio e resistido em mesmo período (mesmo dia ou semana) de treino, surge como opção. Apesar de menos explorado cientificamente em relação as modalidades isoladas (aeróbio ou resistido), tem sido apontado como a estratégia mais eficaz para prescrição de exercício em idosos (CADORE et al., 2013).

A grande vantagem desta modalidade encontra-se na possibilidade de melhora simultânea da função cardiovascular (capacidade aeróbia) e neuromuscular (força e hipertrofia), mesmo que os ganhos de força e massa muscular sejam atenuados em relação ao treinamento resistido isolado (CARDORE et al., 2014).

Esta atenuação pode ocorrer uma vez que o exercício aeróbio produz menor tensão mecânica nas fibras musculares e interfere negativamente (fenômeno de interferência) na sinalização anabólica intracelular clássica do exercício resistido (FYFE et al., 2014).

Mesmo com a interferência, a maior parte dos estudos tem encontrado aumento na capacidade aeróbia, níveis de força e massa muscular após TC. Além dos benefícios supracitados, redução de gordura corporal, melhora do perfil inflamatório e aumento da expressão de enzimas antioxidantes também foram observados após TC em idosos.

Como prescrever o treinamento concorrente?

Cadore et al., (2014), propõem uma prescrição que envolva a combinação do treinamento aeróbio (3 a 5 vezes por semana, 30 a 60 minutos na intensidade de 50 a 80% da frequência cardíaca máxima) e treinamento resistido (3x por semana, iniciando com 20 a 30% de 1-RM e progredindo para 50 a 80% de 1-RM).

Para idosos, não existe comprovação sobre qual modalidade pode ser executada em primeiro lugar para maiores benefícios.
Portanto, trata-se de uma modalidade extremamente indicada para idosos, necessitando de um educador físico para ajustes em intensidade, volume, escolha dos exercícios etc.


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