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Intolerância Adquirida: como tornar-se intolerante com dicas tendenciosas


Muitas pessoas confundem o termo intolerância e alergia alimentar. Antes de conversarmos sobre este tema, vamos entender a diferença entre estes temos:

Intolerância alimentar: é uma resposta adversa causada por características fisiológicas de cada pessoa, como por exemplo, desordens metabólicas e gastrointestinais causadas por deficiência de enzimas para digestão de um nutriente. Neste caso não há reação do sistema imune. A intolerância a lactose é o exemplo mais comum de intolerância alimentar, e é caracterizada pela deficiência de enzima lactase responsável por metabolizar o açúcar do leite (lactose). Sintomas mais comuns: gases, desconforto e distensão abdominal e diarreia.

Alergia alimentar: são reações imunológicas anormais causadas pela ingestão de um alimento ou componente alimentar, geralmente proteínas. Algumas proteínas contidas em alguns alimentos apresentam um potencial alergênico maior, como por exemplo as proteínas presentes no leite de vaca, na soja, em frutos do mar, nas oleaginosas, no ovo e na farinha de trigo. A alergia alimentar imediata gera sintomas logo que se consome o alimento alergênico. Sintomas mais comuns da alergia imediata são urticaria, dermatite, angioderma, prurido, rinite, edema de glote, vomito, diarreia, náusea e choque anafilático.

Alergia alimentar tardia: este tipo de alergia alimentar ainda não está completamente elucidado na literatura. Mas sabe-se que alguns alimentos com maio potencial alergênico quando consumido frequentemente, pode gerar reações imunológicas mediadas por IGE. Muitas vezes os sintomas não são sentidos imediatamente após o consumo de determinado alimento. Os sintomas de alergia alimentar tardia se manifestam de 6 a 24 horas ou mais após a ingestão alimentar. Essa reação ocorre lentamente, e pode atingir seu pico até 48 horas. Sintomas podem aparecer em várias partes do organismo.

Como dietas restritivas e monótonas podem promover intolerâncias e alergias alimentares?

O nosso organismo apresenta cerca 50 milhões de células que se renovam diariamente. A renovação das células ocorre a partir de nutrientes ingeridos e disponíveis no sangue para esta função. Além disso, nutrientes, como vitaminas, minerais e ácidos graxos poli-insaturados são os nutrientes que naturalmente executam as ações ant-inflamatórias, antioxidantes, anticancerígena, detoxificante e anti-alérgica.

Por isso, quando seguimos dietas restritivas e hipocalóricas sem orientação nutricional adequada, a deficiência de nutrientes pode comprometer a formação das novas células, gerando comprometimento em suas funções fisiológicas e metabólicas.

Importância da mastigação e da digestão na tolerância dos alimentos

Os alimentos por si só não são reconhecidos pelo organismo, mas sim os nutrientes que possuem receptores específicos ao longo do intestino para serem absorvidos. Desta forma, quando não mastigamos adequadamente os alimentos, bem como na presença de alterações no processo de digestão (como baixa produção de ácido clorídrico), os alimentos não são digeridos adequadamente.

Neste caso, a presença de macromoléculas alimentares ao chegarem no intestino podem promover respostas imunológicas locais. Além disso, em casos de disbiose com aumento da permeabilidade intestinal, essas macromoléculas podem atingir a corrente sanguínea, ativar o sistema imunológico e gerar sintomas em vários órgãos e tecidos.

Se a pessoa que possui este tipo de reação se expõe diariamente aos alimentos causadores desse processo pode ocorrer desequilíbrio da microbiota intestinal e elevação na concentração de citocinas inflamatórias no sangue.

Consequentemente, pode haver um comprometimento da defesa do organismo, e aumenta-se a ocorrência de sinais e sintomas orgânicos: rinite, otite, amidalite laringite, faringite, bronquite, esofagite de refluxo, gastrite, colite, cistite, celulite, tireoidite, labirintite, artrite, dermatite. Importante pontuar, que a tendência genética é um importante determinante destas respostas.

Estado nutricional e sistema imunológico

Estado nutricional adequado e microbiota intestinal adequada são determinantes para ajudar no equilíbrio do sistema imune e na tolerância oral aos alimentos. Dietas da moda, desequilibradas e deficiente em nutrientes podem comprometer a tolerância aos alimentos pela deficiência de nutrientes que estabelecem e fortalecem o sistema imune.

Dietas da moda e sintomas de hipersensibildiade alimentar

Os sintomas de uma alergia tardia podem aparecer dependendo da relação entre a quantidade de antígeno (alimento alergênico) e anticorpo presentes na corrente sanguínea. Seguir uma dieta de exclusão, por exemplo sem leite de vaca e sem gluten, sem orientação profissional e de forma inadequada pode promover alterações no equilíbrio entre antígeno e anticorpo. Esse desequilíbrio e o tempo inadequado de dieta pode gerar sintomas alérgicos, que não eram sentidos pelo paciente antes, o que pode gerar uma potencialização dos sintomas alérgicos. Fazer dieta é coisa séria. Por isso, procure um nutricionista para adequar o plano alimentar de acordo com suas necessidades e individualidades.

Referências:

  1. Carreiro DM. Entendendo a importância do processo alimentar, São Paulo, 2012.
  2. Pachoal et al. Nutrição Clínica Funcional dos princípios a prática clínica. São Paulo, 2013.
  3. Pereira ACS. Alergia alimentar: sistema imunológico e principais alimentos envolvidos. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 29, n. 2, p. 189-200, jul./dez. 2008.
  4. Taylor e Hefle. Alergias alimentares e intolerância. In Shilss. Nutrição Moderna na saúde e na doença. 2009.

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