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Dependência ao exercício: saiba quando está realizando exercícios demais!


Já sabemos que o exercício físico é uma das principais ferramentas para a promoção de saúde, que ajuda na prevenção de doenças do coração, auxilia na melhora do humor e na qualidade de vida.

Porém, o que nos chama a atenção atualmente é que 30% dos praticantes de atividades físicas apresentam um comportamento de excesso de treinamento ou vício por esta atividade, e este vício, apesar de ser associado aos pontos positivos do exercício físico, pode levar a alguns danos a saúde.

O Professor Dr. Vladimir Modolo, responsável por uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo sobre vício de exercício, explica:

“Na pesquisa foi analisado o comportamento de 300 atletas brasileiros, sendo 150 deles de elite, com nível internacional em diversas modalidades, incluindo atletas de futebol, vôlei, judocas e ginastas, comparados a 150 praticantes amadores de atividade física regular, concluindo que 30% destas pessoas apresentavam o que chamamos de dependência de exercícios e apresentavam uma piora na qualidade de vida e no humor por conta deste vício.

Alterações de humor (aumento da ansiedade e da depressão), insônia, agressividade, alterações no sistema imunológico, lesões alterações hormonais são características de atletas que apresentam o sintoma de dependência.”

Embora a prática de exercícios físicos seja recomendada, a dependência e o excesso são prejudiciais à saúde e à qualidade de vida. “Quanto mais exercício a pessoa faz, mais ela precisa fazer, podendo chegar a um estágio de overtrainning, uma síndrome neuro-endócrina que resulta em modificações fisiológicas e/ou psicológicas. Às vezes, o atleta treina mesmo impedido clinicamente por estar com uma lesão ou fratura grave”, detalha Professor Vladimir Modolo, que cita ainda que “este transtorno está diretamente associado a distúrbios alimentares (anorexia e bulimia) e a transtornos de imagem corporal (vigorexia)”.

Outro elemento que impacta negativamente o viciado é a substituição de atividades do cotidiano pelo treinamento físico. “Há casos de pessoas que perdem compromissos profissionais para ir treinar”, ressalta Modolo.

Em 2012, foi lançada uma organização com intuito de ajudar profissionais a ficarem atentos com sinais e sintomas da dependência de exercício. O nome é “Destructively Fit”, feito pela ACE e certificado pela NASM, surgiu pensando em uma conscientização na área fitness e saúde mental, pois, o que acontece, é que muitos profissionais da área não sabem detectar a dependência.

Os estudiosos deste projeto acreditam que a dependência ao exercício é uma doença e não um vício. Como disse o pesquisador Vladimir Modolo, o excesso do exercício é parte de um transtorno alimentar, sendo um desequilíbrio e um desvio de comportamento.

Os sinais mais comuns são:

– Realizar exercícios muitas vezes ao dia.

– Ter necessidade de chegar ao ponto de exaustão.

– Preocupação rotineira e exacerbada com o exercício.

– Sofrimento severo quando não consegue praticar um exercício ou movimento específico.

– Praticar exercícios mesmo doente ou com lesões.

– Mudança de comportamento diretamente proporcional ao desempenho.

O que é importante ressaltar é que a dependência é causada pelo conflito entre os fatores biológicos, psicológicos, familiares e sociais.

A sociedade ajuda muito no desenvolvimento deste distúrbio, principalmente por conta dos padrões estipulados pelo meio que vivemos. A indústria fitness e o marketing fitness pode ajudar e ser motivador para muitos, porém destrutivos para outros.

Uma das conseqüências… O OVERTRAINING!

As pessoas com distúrbios e dependência realizam exercícios em EXCESSO e podem desenvolver o OVERTRAINING. Para que isto não aconteça, é necessário descansar os músculos cansados e aprender os sinais e avisos do limite do corpo.

Assim, é super importante ter conhecimento do organismo.

O overtraining é quando trabalhamos em excesso e sempre no limite, resultando em fadiga crônica e redução do desempenho. Este quadro ocorre muito em atletas e pessoas com dependência ao exercício. Assim, ocorre uma falta de progresso no treino, resultando na necessidade aumentada da fase de recuperação.

Os sinais mais comuns são:

– Oscilação da frequência cardíaca e pressão arterial de repouso. Estes são alertas de que o corpo precisa de mais descanso.

– Dor e fadiga crônica. Mesmo dias após o exercício, a recuperação fica mais lenta.

– Aumento da probalidade de lesões, resfriados e infecções. Isto porque há uma queda de resposta do sistema de defesa, fazendo com que o organismo fique mais susceptível a agressão de agentes externos.

– Oscilações no apetite e, consequentemente, no peso.

– Modificações no padrão de sono.

Para isto é necessário DESCANSO e RECUPERAÇÃO de 1 a 2 vezes por semana, pois, na recuperação adequada, nosso corpo constrói músculos mais fortes e de mais rápido poder de contração.

Para evitar o overtraining:

– Realize exercícios com moderação e respeite os limites do seu corpo. Fique atento a qualquer sinal de dependência.

– Diminua a variedade de exercícios e, quando incluir um exercício novo, faça a fase de adaptação.

– Aumente a intensidade do treino de forma progressiva.

– Fique atento as escolhas alimentares. Procure um nutricionista ou nutricionista esportivo para elaborar o cardápio ideal de acordo com seu treino.

Com o intuito de tornar a atividade física sempre saudável, podemos dizer que o exercício físico deve ser sempre realizado com o planejamento de um profissional habilitado (educador físico) e que devemos respeitar nosso corpo, dando-lhe o devido descanso para nos recuperarmos de cada sessão de treinamento.

Por fim, clique aqui e saiba se é uma pessoa viciada em exercício…


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