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Como diferenciar a dor muscular de uma possível lesão?


No decorrer do meu trabalho em academias e com praticantes de atividades físicas, noto que, algumas pessoas, têm a mania de ficar olhando a carga alheia, o quanto de supino um “carinha” está levantando e peca pela vaidade de “vou levantar uma carga maior que a dele”. Como cada corpo é um corpo, a pessoa que entra nesta “competição”, pode lesionar-se, ficar cheia de dores musculares e pode, até, ser afastada do treino.

Na maioria dos casos, a dor “boa”, que explicarei logo adiante, aparece em quem está começando a treinar ou mesmo nos reajustes de carga. O que não pode: a dor perdurar e acarretar em um processo lesivo.

Porém, você sabia que pode realizar um treinamento com peso livre de dores?

Sim, é só ter paciência, não entrar em competição com os outros e focar no seu treino, com aumento de cargas constantes e respeitando seus limites.

Foque, incialmente, em pesos leves, pois eles também ajudam na definição muscular e quando combinado a melhor execução do movimento, amplitude, velocidade de execução, recuperação e alimentação, você só colherá resultados promissores.

Utilizamos uma escala de esforço muito conhecida, que é a Escala de Borg. Imagine que, em um parâmetro de 1 a 10, o objetivo é encontrar um peso intermediário, entre 5 e 6. Você deve conseguir realizar 10 repetições SEM SACRIFICAR A TÉCNICA!

Outro ponto importante, quando você está trabalhando um grupamento muscular, você deve manter o restante em isometria, para trabalhar todo o corpo.

Os aumentos de carga devem ser constantes, não perdendo a execução de movimento e, se estiver muito pesado para você, diminua a carga e mantenha as repetições ou mantenha a carga e reduza as repetições, sem perder a QUALIDADE do exercício.

Quando sei que a dor é “boa” ou “ruim” (possível lesão)?!

Como disse acima, quando iniciamos uma sessão de treinamento ou modificamos nosso treino é normal sentirmos dores musculares após o treino (dores musculares tardias). Por que? Porque estamos “quebrando”/lesionando as fibras musculares (e produzindo ácido lático) e as reconstruindo para um aumento de resistência muscular e o aumento da massa muscular (hipertrofia). É importante sabermos diferenciar a dor “boa” de uma dor de lesão articular ou muscular, que é uma dor “ruim”.

Mas, como diferenciá-las? A dor “boa” aparece no dia seguinte após o treinamento e costuma diminuir após 48 ou 72 horas da realização do exercício, podendo permanecer até 1 semana após o treinamento, dependendo da carga ou intensidade de exercício, sendo que você consegue realizar normalmente suas atividades e os movimentos com perfeição. Contudo, se ela continuar igual ou aumentar e ainda “debilitar” da prática de atividades diárias ou mesmo na realização de simples movimentos com os músculos afetados logo após o treino, é bom você parar e procurar um especialista.

Então, se a dor for “boa”, posso treinar? Nada como um acompanhamento profissional para resolver seu problema. Entre 48 horas e 72 horas seu músculo já esta pronto para treinar novamente, mesmo que ainda esteja sentindo dores musculares causadas pelo último treino. Alguns estudos mostram que treinar o mesmo músculo após um período de recuperação de 2 dias, mesmo com esta dor, é ANABÓLICO, ou seja, causa hipertrofia/aumento muscular.

Para o treino temos que notar a execução do movimento (a volta do movimento é essencial para o recrutamento e lesões de fibras musculares, tendo resultados positivos no ganho de massa), se a dor é suportável, se passa com o aquecimento e se há adaptação a dor com a freqüência e rotina de treino.

Se tudo estiver dentro dos conformes, a dor muscular é importante porque indica aumento muscular. Pode melhorá-la com alongamentos antes e após os treinos, além de um desaquecimento com os treinos aeróbios (10 minutos de caminhada, por exemplo, é o suficiente).

Temos que lembrar que isto serve para dores musculares tardias e NÃO LESÕES CAUSADAS POR TREINAMENTO. As dores “boas” também podem persistir, pois seu organismo pode não estar se adaptando. Por isto, é essencial um acompanhamento profissional para rever sua carga, intensidade, recuperação, ou seja, reformular seu treinamento.

Curiosidade Revista Super Interessante…

“O excesso de ácido lático, um dos causadores das dores musculares, pode ser ‘livrado’ com mais exercício. Quando um aluno realiza um esforço físico, seu organismo “queima” glicose, que está armazenada no corpo, principalmente com o oxigênio proveniente da respiração. Essa reação produz energia. Se o exercício estiver além do que o atleta está condicionado a fazer, a queima da glicose através do oxigênio não será suficiente e o organismo queimará a glicose sozinha. Essa reação solitária produz o ácido lático, que é um dos causadores das dores musculares. O melhor procedimento para evitar sua formação é, depois de fazer um exercício, realizar por alguns minutos outro exercício (correr, pedalar, nadar) em menor intensidade. Esse procedimento ajuda a desintoxicar a musculatura porque uma parte do ácido lático, que também pode servir como fonte de energia, passa a ser queimada. Outro procedimento é massagear o local dolorido, aumentando a irrigação sanguínea da região e facilitando a eliminação do ácido. O ácido lático não é o único responsável pelas dores que surgem após os exercícios. Elas podem também ser causadas por microlesões no músculo.”


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